Cartier Cheich
|

Cartier Cheich Bate Recorde em Leilão na Sotheby’s de Hong Kong

Um exclusivo Cartier Cheich em ouro branco, ligado à história do Paris-Dakar, foi vendido por HK$26,52 milhões, tornando-se o relógio de pulso Cartier mais caro alguma vez vendido em leilão.

Poucos relógios Cartier têm uma história tão invulgar como o Cheich. Criado a partir da ligação à lendária prova Paris-Dakar e inspirado nos lenços azuis usados pelo povo Tuaregue do Saara, o design nunca foi pensado como um modelo comercial convencional. Foi concebido como um troféu para uma conquista que apenas um piloto conseguiu alcançar.

Mais de quatro décadas depois da criação do Cartier Challenge, um Cheich único em ouro branco, encomendado pela Cartier para o colecionador Giorgio Seragnoli, entrou para a história dos leilões. Apresentado pela Sotheby’s em Hong Kong, o relógio alcançou HK$26.520.000, já com taxas, o equivalente a aproximadamente US$3,41 milhões. O resultado tornou-o no relógio de pulso Cartier mais caro vendido em leilão, ultrapassando os cerca de US$2 milhões alcançados por um Cartier Crash na Christie’s de Genebra no início de 2026.

Cartier Cheich
Sotheby’s

Nascido do Paris-Dakar

A história do Cheich começa numa das provas de resistência mais exigentes alguma vez criadas. Fundado em 1978 pelo piloto francês de motociclismo Thierry Sabine, o Paris-Dakar rapidamente se tornou sinónimo de resistência, navegação e sobrevivência mecânica. A prova original começava em Paris e atravessava milhares de quilómetros de terreno extremamente difícil até chegar a Dakar, no Senegal.

A Cartier envolveu-se na competição durante os seus primeiros anos, atraída pela combinação de aventura, resistência e exploração que caracterizava a prova. Entre as suas iniciativas esteve o Cartier Challenge, introduzido em 1983 pela Cartier e pelo então presidente da Maison, Alain-Dominique Perrin.

O conceito era simples, mas extremamente exigente: o piloto que conseguisse vencer a mesma categoria do Paris-Dakar em dois anos consecutivos receberia um relógio Cartier em vez de um troféu desportivo convencional.

O design precisava de refletir o ambiente onde essa conquista acontecia. A Cartier voltou-se então para o povo Tuaregue do Saara, cujos tradicionais lenços azuis são conhecidos em francês como cheich. A forma característica do tecido tornou-se a inspiração para uma das caixas mais invulgares alguma vez produzidas pela Cartier.

Cartier Cheich
Sotheby’s

Gaston Rahier: O Único Vencedor

Não demorou muito para que o Cartier Challenge encontrasse o seu primeiro — e, no final, único — vencedor.

O campeão belga de motocross Gaston Rahier venceu a categoria de motos do Paris-Dakar em 1984 e 1985. Ao fazê-lo, tornou-se o único vencedor do Cartier Challenge e o único piloto a receber oficialmente o Cheich como troféu desportivo.

O momento acabaria por revelar-se decisivo. Em 1986, Thierry Sabine morreu num acidente de helicóptero durante o Paris-Dakar e o Cartier Challenge desapareceu com ele. O que tinha sido concebido como um troféu anual tornou-se assim um capítulo extremamente curto da história da Cartier.

Segundo a Sotheby’s, foram produzidos quatro exemplares do Cheich original durante este período. Dois foram criados em 1983, um destinado a homem e outro a mulher. Outro foi produzido especificamente para Sabine, embora a sua localização atual seja desconhecida. O quarto foi criado para um futuro vencedor, mas nunca chegou a ser atribuído.

O exemplar de Rahier acabou por ser vendido pela Sotheby’s em 2022, depois de ser colocado em leilão pela sua família, alcançando mais de um milhão de euros. Dois outros exemplares originais permanecem nos arquivos da Cartier, enquanto o relógio de Sabine continua desaparecido.

Um Quinto Cheich

Durante décadas, parecia que a história tinha terminado com aqueles quatro exemplares. Até que a Cartier criou algo que nunca tinha existido antes.

Giorgio Seragnoli, coautor do influente livro Cartier Bianco e proprietário de uma importante coleção de relógios Cartier em metais brancos, queria acrescentar à sua coleção o derradeiro Cheich. A Cartier aceitou criar uma nova interpretação especificamente para ele.

O resultado surgiu em 2010 como um Cheich único em ouro branco, numerado No. 1 of 1.

Ao contrário dos relógios-troféu originais, este exemplar não foi produzido para o Paris-Dakar nem destinado a ser entregue a um campeão. Tratou-se de uma encomenda especial para um único colecionador, criando um novo capítulo para a lendária forma Cheich sem perder a ligação à história do Cartier Challenge.

Esta distinção é fundamental para compreender o relógio que a Sotheby’s apresentou em 2026. Não se trata de um dos quatro exemplares originais produzidos para o Cartier Challenge, mas de um quinto e único relógio criado décadas mais tarde, diretamente inspirado nessa extremamente rara família de relógios.

Cartier Cheich

O Exclusivo Exemplar de Ouro Branco de 2010

O relógio apresentado em Hong Kong é, do ponto de vista mecânico, bastante mais simples do que muitas das atuais criações de alta relojoaria da Cartier. A sua importância está sobretudo na proveniência, no design e na extraordinária raridade.

A caixa é produzida em ouro branco de 18 quilates e mede aproximadamente 38 mm de comprimento por 27 mm de largura. O mostrador branco apresenta a assinatura Cartier, enquanto o fundo da caixa é fixado por quatro parafusos. No interior encontra-se um calibre de quartzo com rubis, um detalhe particularmente invulgar quando comparado com o extraordinário valor alcançado em leilão.

O relógio é apresentado com uma bracelete Cartier em pele castanha e uma fivela de báscula em ouro branco de 18 quilates. O lote incluía ainda o certificado Cartier e a caixa de apresentação original.

A silhueta continua a ser o elemento mais marcante. Em vez de seguir as linguagens mais conhecidas do Tank, Santos ou Crash, o Cheich transforma a identidade visual de uma peça de vestuário do deserto numa caixa de relógio, criando uma forma alongada e escultórica praticamente sem paralelo na história da Maison.

Cartier Cheich
Sotheby’s

Nove Minutos que Mudaram o Recorde

O Cheich entrou no leilão Important Watches da Sotheby’s em Hong Kong com uma estimativa de HK$8 milhões a HK$40 milhões. Acabaria por tornar-se um dos grandes resultados da venda.

Segundo a informação da Sotheby’s citada pela Hodinkee, a disputa durou aproximadamente nove minutos e envolveu licitadores online, por telefone e presentes na sala. O preço final chegou aos HK$26.520.000, já com taxas, ou aproximadamente US$3,413 milhões.

O resultado ultrapassou o anterior valor de referência para um relógio de pulso Cartier vendido em leilão. Esse recorde pertencia a um Cartier Crash que alcançou aproximadamente US$2 milhões na Christie’s de Genebra em maio de 2026.

O que torna o resultado particularmente interessante é que o Cheich não possui uma complicação mecânica extraordinária. O seu valor concentra-se em algo muito mais difícil de reproduzir: contexto histórico, extrema raridade, uma encomenda única e uma ligação direta a uma das mais lendárias provas de resistência do automobilismo.

Mais do que um Recorde

O resultado do Cheich representa, por isso, mais do que a venda de outro relógio de elevado valor. Demonstra como determinados designs históricos da Cartier podem adquirir uma importância que ultrapassa largamente as especificações relojoeiras convencionais.

O Cheich original nasceu de uma parceria invulgar entre uma Maison de luxo e um acontecimento extraordinário do desporto automóvel. O seu design transformou a identidade visual do Saara num relógio de pulso, enquanto o Cartier Challenge lhe deu uma finalidade que poucos relógios alguma vez tiveram: era algo que tinha de ser conquistado, não comprado.

O exemplar de ouro branco de 2010 levou essa história para o universo das encomendas únicas de colecionadores. Dezasseis anos depois, a sua presença na Sotheby’s acrescentou um novo capítulo à história do Cheich.

Com HK$26,52 milhões, o Cartier Cheich único é agora não apenas uma das formas mais raras da história da Cartier, mas também o relógio de pulso da Maison mais caro alguma vez vendido em leilão.

Especificações Técnicas

ModeloCartier Cheich
AnoCerca de 2010
EdiçãoPeça única, No. 1 of 1
CaixaOuro branco de 18 quilates
Dimensões38 mm de comprimento × 27 mm de largura
Fundo da CaixaFixado por 4 parafusos
MostradorBranco
MovimentoQuartzo, com rubis
BraceletePele Cartier castanha
FivelaFivela de báscula Cartier em ouro branco de 18 quilates
Números da CaixaNo. 1, 3316AF e 62020C
AssinaturasCaixa, mostrador e movimento assinados Cartier
AcessóriosCertificado Cartier e caixa de apresentação
Casa de LeilõesSotheby’s
LeilãoImportant Watches, Hong Kong, setembro de 2026
EstimativaHK$8.000.000–40.000.000
ResultadoHK$26.520.000, incluindo taxas
Resultado Aproximado em USDUS$3,41 milhões
Resultado HistóricoRelógio de pulso Cartier mais caro vendido em leilão à data da venda

Para mais informações, visite o site oficial da Sotheby’s.

Explore lançamentos de 2026.

ARTICLES YOU MAY LIKE

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *